O Jacarandá, a joia que veio da Botánica

Dr. Eugenio Victor Follmann

A denominação JACARANDÁ aplica-se às plantas da famllia das Leguminosas-Papilonaceas do gênero Dalbergla das quais estão catalogadas cerca de 250 espécies ao redor do mundo entre ârvores, arbustos e trepadeiras. Destas, umas 20 espécies são de interesse comercial já que a sua madeira se carateriza por excelentes propriedades de trabalhabilidade, polimento direto muito bom, às vezes de colagem e vernizagem dificil pelo elevado conteúdo de óleo e poros dilatados, mas sempre de coeficiente de amortecimento (fricção interna) baixo, o que determina um "sustain" de som prolongado quando a peça é percutida. Esta particularldade determina o seu valor como material para instrumentos musicais. Nota-se em todas as espécies deste gênero um elevado conteúdo de corantes que se assemelham a anéis de crescimento, de formas e cores multo variadas, mas que nade têm a ver com os anéis de crescimento da planta, já que se sobtepõem a estes, cruzando-os.

A denominação do Jacarandá em outros idiomas:
Jacarandá - Palo (Pau) Santo - Palissandro (Espanhol-Português)
Rosewood (Inglês)
Palissandre (Francês)
Palisanderholz (Alemão).

Dalbergla Cearensis (Brasil)
    Kingwood ou Violettwood, con veios cor violeta pálido e violeta escuro, em desenho muito próximo e paralelo. Excelente madeira, com aroma agradável utitizado na preparação de perfumes na França, é uma das Dalbergias mais densas e de poros mais diminutos, tendo sido por isso utilizada pelo Rei Ludovlco da Bavaria para a fabricação de flautas. Dai a denominação Kingwood. Em 1980 a rainha da Inglaterra recebeu um violão de concerto construido pelo luthier Inglês Paul Fischer com esta madeira, o que é uma rar1dade, já que as toras raramente atingem um diâmetro superior a 25 cm. Colagem e vernizagem fácil, polimento direto possivel.
    Confunde-se com:
    Peltogyne Spp. (Roxinho, Amaranthwood)

Dalbergia Decipularis (Brasil)
Dalbergia Fruteoceus (Brasil)
Dalbergla Tormentosa (Brasil)
Dalbergla Variabilis (Brasil)
    Sebastião-de-Arruda OU Tulipwood, todas elas muito semelhantes entre si. Ulilizadas na fabricação de móveis franceses estilo Luis XIV e Luis XV e também para destilação de essências aromáticas para perfumes. Taras de pequeno diâmetro, raramente atingem 30 cm, madeira densa e de poros pequenos, cor básica amarelo claro com linhas finas cor bordô a púrpura, utiliza-se para instrumenlos de sopro e percussão. Boa para colar e envernizar, polimento direto possivel.

Confunde-se com:
Swartzia Euxilophora (Arruda)
Swartzia Fasciata (Arruda rajada)

Dalbergia Latifolia (India)
    Indian Rosewood, cor marrom com desenhos paralelos difusos de cor marrom mais escuro até violeta. Poros abertos, coeficiente de retração médio, crescimento reto. Dá toras de até 80 cm de diâmetro, colagem fácil, vernizagem dificil devido aos poros dilatados. Utiliza-se para fundos e faixas de violão e escalas, teclas de xilofone, acessórios, cravelhas.


Confunde-se com:
Dabergia Spruceana (Jacarandá-do-Pará)

Dalbergia Melanoxylon (África)
    African Blackwood - Granadilho - Mpingo, utiliza-se pela sua extrema dureza e densidade ( 1,2 a 1,3 Kg/dm³) e a sua cor extremamente escura, quase como o ébano, para clarinetes e oboés, teclas de xilofone e também para escalas. Extremamente sonoro, excelente madeira para instrumentos, infelizmente de toras muito retorcidas e de escasso aproveitamento.

Dalbergia Nigra (Brasil)
    Jacarandá-da-Bahia ou Rio-Rosewood, uma das madeiras mais importantes pela sua aparêncla, e das mais caras do mundo. De cores variadissimas e desenhos fantasiosos sobre base cor de laranja até marrom escuro, desenhos de linhas finas tipo tela de aranha cor violeta até preta, e labaredas cor verde esmeralda até violela azulado chegando a preto. É madeira clássica para a confecção de violões de concerto de primeira linha. Tem poros abertos sendo portanto de vernizagem dificil. Alguns luthiers limpam as superficies a serem coladas com acetona pala retirar o óleo. Uma boa cola poro esla madeira é: 50% de acetato de vinila e 50% de uréla-formaldeido (cascamite-Alba) Em Junho de 1992 foi decretado em Washington o embargo universal para a comercialização desta madeira. Por causa da sua crescente escassez nos últimos anos têm aparecido muitas madeiras substitutas de aparência semelhante.

Tipos Escuros:

Imperial Floresta densa e alta, solo alcalino pedregoso. Cor básica laranja escuro - marrom chocolate até violeta, com linhas finas quase pretas. Não escuresce com o passar do tempo.
Colonial Floresta media, solo alcalino e profundo. Cor básica variada, linhas largas ou franjas mais escuras. Com o passar do tempo fica muito escuro, quase preto.
Piauí Floresta baixa, seca e aberta (sertão), solo alcalino. Cor básica marrom avermelhado com linhas mais escuras uniformamente distribuidas. Escuresce até ficar de côr marrom calido.

Tipos Claros:

Grassland Crescimento isolado no campo, solo acido, cor clara, desenho difuso.

Confunde-se com:
Machaerium Scleroxylon (Santos--Rosewood,Pau-Ferro)
Machaerium Ampium ( Pau-Ferro de Goiás-Amazonas)
Machaerium Macronulatum (Pau-Ferro de Pernambuco)
Machaerium Pedicelatum (Jacarandá-Antam,Jac-Tâ)
Machaerium Violaceum (Jacarandá-Antam,Jac-Tâ)
Machaerium Cepacum (Jacarandá-de-espinho)
Machaerium Aculeatum (Jacarandá-de-espinho)
Machaerium Acutifollum (Bico-de-pato)
Machaerium Nictilans (Bico-de-pato)
Machaerium Discolor (Bico-de-pato)
Machaerium Erloccarpum Machaerium Firmum (Jacarandá-Piranga)
Machaerium Oblongifollum (Jacarandá-cipó)
Machaerium Tegale (Jacarandá-Roxo)
Machaerium Pedicelatum) (Jacarandá-Roxo)
Zollernia Ilicifolia (Mocitalba, Orelha-de-onça)
Zollernia Falcata (Pitomba-Preta, Pitomba Rajada)

Dalbergia Relusa (América Central)
Dalbergia Hypoleuca (América Central)
Dalbergia Lineata (América Central)
Dalbergia Granadilho (América Central)
    Cocobolo/Granadilho, todas elas muito semelhantes entre si, encontram-se desde a Colômbia até o México. A mais conhecida e mais comum, a Dalbergia Retusa é uma das Dalbergias mais densa e pesadas, cresce muito torta e é de aproveitamento muito dificil, somente para peças curtas. Cor marrom com desenho violeta escuro, contém óleo essencial que' pode provocar dermatites nos operários. Pode ser utilizada para sopros, fazendo-se o bocal de outra madeira para evitar irritação dos lábios. Dificil de colar por causa do óleo e de envernizar por causa dos poros dilatados. Utiliza-se também para xilofones e castanholas, sem verniz, com polimento direto.


Confunde-se com:
Dabergia Spruceana (Jacarandá-do-Pará)

Dalbergia Spruceana (Brasil)
    Jacarendá-do-Pará, marrom quente escuro com desenhos difusos mais escuros até violetas. Toras de até 50 cm de diâmetro mas de crescimento muito torto. Madeira muito estável, nã,o contém óleo, portanto fácil de colar e de envernizar (poros medianos). Utiliza-se para xilofones, cabos de facas e ferramentas, sopros.


Confunde-se com:
Dalbergia Stevensonii (Honduras-Rosewood)
Dalbergia Retusa (Cocobolo)
Dalbergia Violacea (Jacamato, Jacarandá-Paulista)

Dalbergia Stevensonii (América Central)
    Honduras Rosewood, marrom médio com desenhos difusos em marrom escuro, estabilidade dimensional média, poros abertos, colagem boa, vernizagem dificil. Utiliza-se para escalas e cavaletes de violão, raramente para fundos e faixas de violão.


Confunde-se com:
Dalbergia Stevensonii (Honduras-Rosewood)
Dalbergia Retusa (Cocobolo)
Dalbergia Violacea (Jacamato, Jacarandá-Paulista)

Dalbergia Violacea ( Brasil )
    Jacarandá-do-Malo-Grosso, Jacanalo, Jacarandá-Paulista, cor básica verdosa, veiado marrom escuro difuso até violáceo nas proximidades do brancal. Coeficiente de retração elevado, baixo conteúdo de óleo, poros medianos, crescimento reto, toras de até 80 cm de diâmetro, porém curtas ( 2 a 3 m ). Bom para colar e envernizar. Não permite polimento direto.


Confunde-se com:
Dalbergia Retusa (Cocobolo, quando cresceu em solo úmido e portanto de densidade menor que a normal)
Dalbergia Stevensonii (Honduras-Rosewood)
Dalbergia Spruceana (Jacarandá-do-Pará)

    Esta família vegetal tem dado com a sua excelente madeira um valioso aporte para a cultura da humanidade. Cabe à humanidade agora ter a cultura necessária para preservá-la da extinção e legá-la para as futuras gerações.
    Não é errado retirar da natureza aquilo que contribui para o aprimoramento do espirito humano, sobretudo se se retiram as toras secas caldas, que morreran de velhas e foram derrubadas polo vento, e que são a melhor madeira. O que é errado, criminoso até, é não replantar, não repor, saquear a natureza deixando-a coda vez mais depauparada.

    Palavras do chefe Indio Seattle
    "0 que acontecer à Terra acontecerá aos filhos da Terra."

    Todos as inicialivas e atitudes tendentes a restabelecer o equilibrio da biosfera têm algo de sagrado e são a melhor heranca para os nossos filhos e os filhos deles. A música também é parte disso. Os luthlers têm uma especial responsabilidade em fazer com que a harmonia na vida e na cultura se perpetuem juntas.